A noite de colação de grau do curso de Odontologia da Faculdade de Ciências do Tocantins (FACIT) foi marcada por histórias que começaram muito antes da entrada em uma sala de aula. Entre os novos cirurgiões-dentistas, estavam acadêmicos indígenas que chegaram à instituição trazendo consigo a identidade, a memória e os sonhos de povos originários de diferentes lugares do Brasil.
Ao receberem o diploma, eles não celebraram apenas a conclusão de uma graduação. Representaram famílias, comunidades e jovens indígenas que ainda sonham em ocupar os espaços do ensino superior. Entre as formandas está Francisca Joyce Soares Oliveira Bastos, do povo Tapeba, no Ceará. Para chegar até a colação de grau, ela precisou superar desafios, enfrentar a distância e construir uma nova rotina longe de sua comunidade.
Ao olhar para a trajetória percorrida, Joyce reconheceu em sua conquista a presença daqueles que vieram antes dela e destacou o apoio recebido durante a graduação. “Concluir um curso superior é mais do que uma realização pessoal. É uma vitória para o meu povo e uma conquista histórica. Toda a minha caminhada acadêmica foi possível também graças à FACIT, que abriu as portas para estudantes indígenas por meio de iniciativas de inclusão e ofereceu apoio e suporte desde o início até a conclusão da faculdade. Essa oportunidade foi fundamental para que eu pudesse permanecer no curso e concluir a graduação”, declarou.
O diploma também representa o início de uma missão. Agora formada em Odontologia, Joyce pretende utilizar o conhecimento adquirido para contribuir com a saúde bucal de seu povo. Ela espera que sua história inspire outros jovens indígenas a acreditarem que também podem chegar ao ensino superior.
“Eu não cheguei sozinha. Cheguei com os meus ancestrais e com a minha história. Pretendo levar a saúde bucal para o meu povo e mostrar que as cadeiras da universidade também podem ser ocupadas e representadas por nós”, completou.
A colação de grau também foi inesquecível para Gislene Ribeiro Sotero Apinagé, indígena do povo Apinajé, no Tocantins. Sua caminhada foi construída com dedicação, aprendizado e o desejo de transformar não apenas a própria realidade, mas também a de sua comunidade.
“Ser uma acadêmica indígena dentro de uma instituição de ensino superior é mostrar que nós, povos indígenas, também podemos ocupar esses espaços, conquistar uma formação profissional e voltar para nossas comunidades levando conhecimento e novas possibilidades”, afirmou.
As histórias de Joyce e Gislene mostram que a inclusão no ensino superior precisa ir além da abertura de vagas. Ela passa pelo acolhimento, pelo respeito às particularidades culturais e pela criação de condições reais para que os estudantes permaneçam na instituição, aprendam e concluam sua formação.
Segundo o coordenador do curso de Odontologia e professor homenageado pela turma, João Nivaldo Pereira Gois, a presença de indígenas na graduação amplia a representatividade e contribui para uma assistência mais próxima das necessidades de cada comunidade.
“Mais importante do que permitir o ingresso é oferecer condições para que o estudante permaneça e conclua o curso, respeitando suas particularidades. O profissional indígena compreende de forma muito próxima as necessidades de seu povo e pode contribuir diretamente para melhorar a saúde bucal dentro das comunidades”, destacou.
Com uma formação que alia excelência acadêmica, estrutura moderna, prática profissional e acolhimento, a FACIT se destaca por reconhecer as diferentes realidades de seus estudantes e oferecer condições para que cada um construa sua trajetória no ensino superior. A instituição prepara profissionais qualificados e conscientes do papel social, capazes de transformar o conhecimento adquirido em cuidado, desenvolvimento e novas possibilidades para as comunidades onde irão atuar.


